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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

De Zaak Alzheimer (2003)

Eric Vincke e Freddy Verstuyft são dois dos melhores detetives da polícia da Antuérpia. Quando investigam o desaparecimento de um oficial de alto escalão e a morte de duas prostitutas, as pistas os conduzem a Angelo Ledda, um assassino em fim de carreira. Desde que Ledda passou a mostrar sintomas do mal de Alzheimer, tornou-se difícil para ele cumprir seus contratos. Ao ser incumbido de assassinar uma garota de programa de apenas 12 anos, ele se recusa e transforma-se em alvo. Enquanto a dupla de oficiais o persegue e contabiliza os corpos, Ledda precisa fugir de seus empregadores. Mas quando percebe que está sendo usado em um jogo de poder político, decide mudar as regras do jogo.
De Zaak Alzheimer, conhecido no resto do mundo como The Alzheimer Case, é um filme belga dirigido por Erik Van Looy. Bem cotado no IMDb, tem nota 7,5. Este elogiado thriller policial foi o candidato da Bélgica ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2005. Ganhou sete prêmios e teve três indicações em festivais europeus. É baseado em um romance escrito por Jef Geeraerts, um dos melhores escritores da Bélgica quando se trata de romances policiais. Ele inclusive faz uma ponta, sentado num banco na delegacia de polícia. Os direitos para uma refilmagem americana já foram comprados.
É muito bom quando você assiste a um filme que poucas pessoas ouviram falar e se depara com um trabalho muito acima da média. É o caso de Alzheimer Case, um suspense policial de tirar o fôlego, capaz de deixar para trás muitos filmes americanos do gênero. O longa possui uma história muito bem conduzida e um vilão que causa simpatia nos espectadores, mesmo sendo um assassino profissional. Um filme imperdível!
Ótimo filme de ação, contando com excelentes atores em cenas vibrantes e bem feitas, além de um roteiro perfeito. A trilha sonora entra totalmente no clima de tensão, e a câmera segue de perto a ação. Tudo muito bem feito, contando com a criatividade de um produtor capaz e inteligente. A citação ao Mal de Alzheimer (doença que consome uma grande parte das pessoas idosas), foi de um brilhantismo a toda prova. Ledda tem que cumprir seus contratos antes que se esqueça dos objetivos de suas missões. Muito bom filme, digno de ser indicado ao Oscar.
O roteiro inclui ação, drama, corrupção política, dilemas éticos, e um bocado de violência. Uma raridade se assistir a um filme belga, ainda mais não falado em francês. Apesar do título dar a impressão de ser um drama, na verdade é um filme policial, bastante violento, bem dirigido, com muito clima. Embora a idéia do assassino recusar um caso e ir contra o Sindicato do Crime seja velha, tem reviravoltas diferentes que foram realizadas com eficiência.
Um assassino inteligente que dá trabalho para a polícia. Para quem gosta do gênero, é um filme tenso e fascinante. Mais uma produção acima da média de origem belga, que merece muito ser vista. Considerado por muitos como o melhor thriller policial já feito no país. Ficou interessado? Então não pense duas vezes, porque o filme já vem com legendas em português!

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domingo, 22 de novembro de 2009

Le Couperet (2005)

Le Couperet é uma co-produção entre Bélgica, França e Espanha dirigida por Costa-Gavras. Conhecido internacionalmente como The Ax e como O Corte no Brasil, tem nota 7,5 no IMDb. Cáustico e irreverente desde o primeiro minuto, esta adaptação do livro The Ax, de Donald E. Westlake, versa sobre um tema já abordado em outro filme europeu anti-globalização, El Método, feito no mesmo ano de 2005.
Bruno Davert é um executivo francês especialista em papéis, que perde seu emprego depois de 15 anos na mesma empresa, em um corte coletivo devido a fusões e incorporações empresariais. Dois anos depois ele continua desempregado e cada vez mais deprimido. Até que ele descobre uma solução para acabar com a concorrência no mercado de trabalho. Apesar de sua grande experiência e competência ele sabe que não é o único no mercado em busca de um bom emprego. Porém, ele tem um plano para eliminar a concorrência. Literalmente. Agora ele está disposto a tudo para conseguir um novo posto, inclusive partir para a ofensiva...
Le Couperet é um filme acima da média – um bom thriller, muito bem conduzido, roteirizado e com excelentes atuações. Costa-Gravas tem amor à polêmica, abordando assuntos bem espinhosos de maneira geralmente heterodoxa. O diretor faz a tensão nascer de quase nada, de um olhar, de um ruído, ou uma arma escondida. O jogo entre aquilo que é ocultado aos personagens mas que o espectador sabe sustenta o suspense. Num ambiente cru e realista e de uma forma quase leve, são levantadas questões de caráter político e social, onde podemos reconhecer, com medo, algo da nossa realidade, mais ou menos próxima. A forma de Costa-Gavras mostrar seu ódio pela globalização é horripilante, agressiva, perturbadora. É uma crítica social com uma pitada de humor negro ou um Falling Down com sotaque francês.
É fácil associar o crime e as medidas anti-sociais extremas às populações mais desfavorecidas ou com menos formação. Mas aqui, Costa-Gavras fala de um homem com formação superior que, ao contrário de alguns seus concorrentes que procuram trabalho em atividades menos qualificadas para continuar a sua vida, ele não concebe a mudança, nem de ramo nem de casa, por exemplo. O filme mostra o quanto um homem pode afogar-se em suas ambições, ilusões e desejos, e como a frustração destes pode radicalizar sua conduta. Bruno é uma personagem amoral, para quem os fins justificam os meios.
Uma curiosidade é que em Le Couperet há uma persistente campanha de publicidade de lingerie que nos distrai do que está a acontecer, da mesma forma que a sociedade se distrai com tudo que é material e superficial.
O filme vai mostrando de forma cadenciada a descrição de como o sistema funciona, de como pode ser ruim estar desempregado, arruinado. E o mérito do filme é este, mostrar como essa situação é desconfortável. Mostrar que uma pessoa é arruinada em sua vida em seus projetos, e o dia-a-dia é um desespero total.
Para variar, está previsto um remake desta fábula sobre o desemprego. Ficou interessado? Então lá vai, com legendas em português:

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Loft (2008)

O que se pode esperar quando 5 homens decidem compartilhar um apartamento? 5 amigos, todos casados e que se conhecem bem decidem usar um Loft juntos. O objetivo é terem um lugar discreto para encontrarem amantes e casos fortuitos. Tudo corre como planejado, até que certa manhã um acontecimento trágico ocorre: uma jovem mulher desconhecida é encontrada morta nesse apartamento por um deles. Os 5 amigos começam a suspeitar uns dos outros, fazendo com que eles percebam que não se conhecem tão bem quanto pensavam.
Loft é um filme belga dirigido por Erik Van Looy, diretor de filmes como o elogiado The Alzheimer Case. O filme, falado em flamengo (uma variação de holandês falado na Bélgica) está bem cotado no IMDb com nota 7,7. Loft é considerado pela crítica uma obra-prima que entrou para a história do cinema da Bélgica.
Erik Van Looy acerta mais uma vez na direção. Loft tem uma bela fotografia, os cenários parecem de uma revista de design de interiores.
Lembra um pouco o filme The Usual Suspects, mas com uma história envolvendo amigos, amantes e traições. O filme demora um pouco para esquentar, mas logo o diretor nos leva a uma montanha-russa que quer sair do trilho. O roteiro é muito inteligente. Quando você acha que entendeu tudo o que aconteceu no apartamento ele toma outra direção, é como tentar segurar uma barra molhada de sabão. A ideia do filme é ótima, o filme é cheio de suspense e reviravoltas.
A maior realização de Van Looy é evitar o pecado que a maioria dos filmes do gênero cometem: a negligência dos personagens. Sem perder o ritmo, conseguimos realmente conhecer os peões de nosso jogo de xadrez, e as motivações de cada um começam a afundar, mesmo quando o personagem parece o suspeito mais provável. A narrativa do filme é não-linear, indo e voltando no tempo para contar os eventos que levaram à confusão em que os cinco amigos se envolveram.
Quando você tem uma boa história para contar, há muitas ferramentas que podem ser usadas para envolver o público. Os criadores cuidadosamente fizeram uso de vários fatores para tornar o filme cativante. Ele instiga o seu interesse, acordando o detetive particular escondido na mente do espectador. Você não apenas assiste ao filme, você participa dele. Durante mais de 90 minutos você pode sentir a tensão e o ritmo fantástico deste filme... Mas em nenhum momento se sente o realismo e emoção desaparecerem. O final é realmente inesperado e surpreendente. Palmas para o brilhante Erik Van Looy, que se mostra mais uma vez como um dos maiores diretores belgas! E não vamos esquecer do roteiro maravilhoso escrito por Bart De Pauw.
A Bélgica vem mostrando ultimamente que sabe fazer cinema de qualidade. É um filme bem acima da média se comparado com esses suspenses que são lançados constantemente. Loft é uma ótima diversão! É um filme ao estilo de Hollywood? Sim, mas não uma cópia de qualidade inferior.
Recomendado!!! Ótimo thriller, que você assiste aqui com legendas em português...

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ben X (2007)

Supostamente inspirado numa história real, Ben X – A Fase Final é o filme de estréia do crítico de cinema Nic Balthazar e também o escolhido para representar a Bélgica na corrida ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2008.
Escrito pelo próprio Balthazar a partir de seu bem-sucedido livro (e da igualmente bem-sucedida peça inspirada por este), o longa gira em torno de Ben, um jovem que, portador da síndrome de Asperger (espécie de autismo), é constantemente brutalizado por seus colegas de colégio e que, como fuga, mergulha no universo criado pelo jogo online “Overlord”, no qual alcança um alto nível que desperta o respeito dos demais jogadores/personagens. Tornando-se amigo de uma jogadora cujo nick é “Scarlite”, Ben fantasia sobre um possível encontro com a garota – mas logo tem sua atenção desviada pelos ataques cada vez mais cruéis de dois jovens de sua sala.
Dirigido com admirável energia, o filme não apenas emprega cenas inteiras criadas por jogadores de “Overlord” na Internet como ainda traz o jogo para o cotidiano de Ben – como no instante em que ele explica como cria seu “avatar” e vemos uma seta de mouse percorrendo a tela e selecionando as peças de roupa que o rapaz vestirá para ir para a escola. Além disso, Balthazar intercala, na narrativa, depoimentos dos demais personagens em um estilo documental, revelando também uma criatividade ímpar ao ilustrar o ponto de vista de Ben.
Mas se Nic Balthazar surge como revelação neste projeto, o mesmo deve ser dito com relação ao jovem ator Greg Timmermans, que, já em seu trabalho de estréia, exibe uma segurança impressionante ao evitar que Ben se transforme numa caricatura ao mesmo tempo em que inclui, em sua composição, todos os tiques particulares da síndrome de Asperger, como o hábito do rapaz em manter os olhos voltados para o lado e para cima, evitando qualquer tipo de contato visual com seus interlocutores; sua mão contraída em um estado de permanente tensão; os ombros contraídos que indicam sua vulnerabilidade diante dos demais; e os pés inquietos que revelam seu desconforto constante.
Enriquecido ainda por uma direção de arte que ilustra a tristeza do universo de Ben, e por figurinos que ajudam a estabelecer a influência positiva de Scarlite sobre o protagonista (ela é a única que usa um vermelho intenso e alegre; os demais vestem-se em tons de cinza), Ben X é um projeto artisticamente ambicioso que revela sua sensibilidade particularmente através de seus belos diálogos: ao descrever a doença de Ben, seu pai diz que a síndrome era “um problema dele; não para ele” e o próprio rapaz, em sua excelente narração em off, acrescenta: “Nunca fui o que chamam de ‘feliz’, mas nunca fui feliz como agora”.
Ben X é um filme muito bonito, muito sensível e acessível. Para quem gosta de filmes com temáticas que abordam “cultura e sociabilidade”, Ben X vale a pena. Um filme imperdível! Contar mais tiraria a surpresa de toda essa história, que é muito bem contada. Um filme perfeito em tudo. Além de uma trilha musical lindíssima! E uma curiosidade: Ben X, nome do personagem, se pronunciado rápido em holandês temos a palavra Benniks que significa "eu não sou nada".
Precisa dizer mais alguma coisa? Então clique logo aí e veja o filme com legendas em português!

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