segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dorothy Mills (2008)

Jane Morton, uma psiquiatra em luto desde a morte acidental de seu filho, é chamada para atender o caso de Dorothy Mills, uma garota de quinze anos de uma pequena cidade de uma ilha irlandesa, acusada de tentar matar um bebê sob seus cuidados. Chegando ao vilarejo, Jane descobre uma pequena e assustada comunidade, traumatizada por misteriosos eventos e assombrada por um terrível segredo, e que hostiliza os visitantes. Profundamente religiosa, e considerada pelos moradores de possuir poderes sobrenaturais, a temível Dorothy jura que nunca tocou na criança. Movida pela fragilidade da garota, e em estado vulnerável, Jane faz um diagnóstico de desordem de múltiplas personalidades, até o dia em que Dorothy fala com ela com a voz de seu filho morto. Jane é forçada a admitir que a garota realmente possui poderes que vão além do alcance da psiquiatria - perigosos poderes que irão mergulhar a sociedade em uma série de violentas psicoses...
Dorothy Mills é um filme de mistério produzido pela França e Irlanda, dirigido por Agnès Merlet. Tem nota 6,0 no IMDb. Foi lançado em DVD no Brasil com o título Os Demônios de Dorothy Mills.
Considerado pela crítica uma assustadora combinação entre thriller psicológico e terror gótico, Dorothy Mills é estranho, excitante e verdadeiramente assustador. É um daqueles filmes que não se enquadram na categoria de horror, mas ainda contém elementos suficientes para chamar a atenção dos amantes do horror que querem mais do que gore e uma variedade agradável de sustos. É um pouco mais complexo, menos violento e mais psicológico.
Tem um ritmo um pouco lento, o que permite realmente compreender as diferentes personagens e os seus segredos e mentiras. Isso acrescenta muita profundidade à história, algo que está faltando em muitos filmes de Hollywood. Dorothy Mills com êxito consegue captar a atenção durante os primeiros minutos, que é uma coisa fundamental que fazer quando você está contando uma história. Dorothy é uma personagem perfeita, os autores fizeram um trabalho maravilhoso ao criá-la. Julgando este filme pela capa, supomos que Dorothy Mills é outro filme sobre uma menina má que mata as pessoas e fica impune, porque ninguém nunca suspeita de meninas jovens e inocentes. Na realidade, Dorothy é uma personagem muito mais complexa, com um monte de coisas para expressar. Um thriller psicológico altamente recomendado, com um vilão dos mais complexos.
Essa produção nos mostra o que a perda de um ente querido é capaz de fazer. A vontade de ter a pessoa amada de volta, ou apenas se comunicar com ela, faz com que as pessoas não se importem nem com a vida dos que ainda estão vivos.
Bom filme para ver o que pode ser feito com cerca de um milhão de dólares, um bom roteiro e um diretor talentoso. Se você gosta de um bom thriller com algumas reviravoltas bem feitas, este filme é uma boa pedida. Confira já, com legendas em português:

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Auf Der Anderen Seite (2007)

Auf Der Anderen Seite, drama dirigido e escrito por Fatih Akin, tem nota 8,0 no IMDb. É uma coprodução entre Alemanha, Itália e Turquia, conhecida como The Edge of Heaven internacionalmente e como Do Outro Lado no Brasil. É o primeiro longa de ficção do diretor desde o sucesso mundial de Head-On, de 2004.
Auf Der Anderen Seite nos mostra como os destinos podem mudar dependendo de pequenos momentos, de pequenos acontecimentos. São três famílias, duas turcas e uma alemã, e seus membros estão espalhados entre os dois países. Yeter é uma prostituta quarentona turca que vive na Alemanha. Ela envia dinheiro para sua filha, Ayten, uma ativista política que vive em Istambul, na Turquia. Nejat é um professor numa universidade Alemã, e seu pai, Ali, é um turco aposentado que inicia um romance com a prostituta Yeter. Lotte é uma jovem estudante universitária que vive com sua mãe, Susanne, na Alemanha. Os destinos dessas três famílias se cruzam de uma forma dramática e inesperada.
Não é difícil entender por que o roteirista e diretor Fatih Akin levou o prêmio em Cannes de melhor roteiro por Auf Der Anderen Seite. É uma típica trama à la Babel que chama atenção para sua própria engenhosidade em traçar pontes entre histórias paralelas. Com este filme, o cineasta alemão de origem turca prova que é um grande talento. É um ótimo filme, maduro, sério, denso, e com um roteiro brilhante. O roteiro é o maior dos muitos méritos deste Auf Der Anderen Seite. Ele constrói uma narrativa que não é linear – ao contrário, é circular, quase em espiral – e ao mesmo tempo é simples, fácil, tranquila de se acompanhar. É inventiva, criativa, sem ser pedante, chata, pretensiosa.
Auf Der Anderen Seite é, na verdade, uma união da Alemanha e da Turquia como países e culturas, como é o próprio diretor Akin. A narrativa circula em torno das três famílias, dos dois lados das civilizações que coexistem na Europa, a ocidental, cristã, e a oriental, muçulmana. A música turca exerce um importante papel neste filme – a trilha sonora é extraordinária. É cinema do bom, e merece atenção.
O filme trata de diferenças culturais, de choque de civilizações, mas, sobretudo, das relações pais e filhos. E é bem mais do que apenas conflitos de gerações. Trata de fatos irreversíveis. Que reforçariam a idéia de que diálogo, respeito por ideais, carinho, e sobretudo, sinceridade, deveriam fazer parte do dia-a-dia desse tipo de relacionamento. Por vezes, alguns tropeços poderiam ter sido evitados se o caminho trilhado não fosse uma via de mão única.
Resumindo: o filme é muito bom! Um excelente elenco, um ótimo roteiro e um intrigante subjetivismo que nos instiga a refletir sobre compreensão, perdão e relações interculturais. Lindo e emocionante! Sensível, complexo e terno sem ser piegas.
Quer mais? Então o filme está aí, com as legendas em português...

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Kærlighed på Film (2007)

Kærlighed på Film é um filme dinamarquês dirigido e escrito por Ole Bornedal. Com nota 7,4 no IMDb, é chamado de Não é Mais uma História de Amor no Brasil e de Just Another Love Story internacionalmente.
Como contar a verdade, se viver a mentira é melhor? Kærlighed på Film é um thriller sobre identidades trocadas. Jonas, um pacato fotógrafo, se envolve em um acidente de carro no qual uma misteriosa jovem chamada Julia entra em coma. Movido pela curiosidade, vai até o hospital para ver como ela está. Porém, quando a família de Julia o confunde com o namorado dela, Jonas resolve assumir mesmo este papel. Decidido a não perder Julia e sua nova identidade, ele faz de tudo para a manter. Conforme a relação entre os dois evolui, as boas intenções de Jonas passam a ter consequências bizarras quando Julia sai do coma, e ele se vê enrolado em uma teia de mentiras e falsas identidades. Atraído por motivos que ele não consegue controlar, Jonas está agora em uma situação complicada e brutal, com um final surpreendente.
O filme é um misto de drama e policial noir impressionante pela tensão contínua, estilo vibrante, recursos visuais e uma incrível narrativa, que estourou no Festival de Sundance em 2008 e foi apresentado em numerosos festivais. O longa presta uma homenagem ao clássico Crepúsculo dos Deuses, do mestre Billy Wilder.
Através de alguns momentos cômicos a família de Julia acha que ele é seu namorado e ele lentamente começa a aceitar isso e realmente se apaixonar por ela. Mas se há coisa que Kærlighed på Film pode se gabar é de não ser apenas mais uma história de amor. Esta obra de Ole Bornedal, mais conhecido por ter dirigido Nightwatch, é um trabalho neo-noir, com um enorme sentido estético e cujo enredo parece ser uma versão mais negra e tensa de While You Were Sleeping.
Construído com um grande sentido estético, e variando entre uma espécie de neo-realismo e momentos de ação e violência psicológica caricaturais, Kærlighed på Film é um filme bastante interessante e construído de forma desconcertada, permitindo ao espectador descobrir aos poucos o que por quê da sequência inicial do filme. Bornedal consegue assim uma dupla vitória, pois tanto atrai pessoas com desejos de entretenimento, como um público mais virado para cinema de autor. É uma história bastante intrigante e com um roteiro que está maduro para um bom remake americano. Será interessante esperar, pois deverá ser dirigido por Marc Webb e lançado em 2011.
Este longa tem uma história bem diferente de outros filmes. Começa morno, mas depois ele te envolve de uma maneira muito interessante. Vale a pena perder 100 minutos de sua vida para ver esta obra diferente e excelente, com um desfecho surpreendente e uma trilha sonora perfeita. Melhor ainda se puder ser assistido com legendas em português, não concordam?

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Okuribito (2008)

Okuribito é um filme japonês dirigido por Yojiro Takita. Conhecido internacionalmente como Departures, é chamado de A Partida no Brasil. Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009, além de receber mais 32 outros prêmios. Tem nota 8,2 no IMDb.
Okuribito conta a história de Daigo Kobayashi, violoncelista de uma orquestra que se vê desempregado quando ela é dissolvida. Sem saber o que fazer ele volta para a cidade natal com a esposa em busca de uma oportunidade de ganhar dinheiro. Daigo começa a trabalhar como "Nokanshi", uma espécie de agente funerário, responsável por preparar o corpo, colocá-lo no caixão e enviar a pessoa que morreu para o outro mundo, agindo como um guardião entre a vida e a morte. Mas seu trabalho é desprezado tanto por sua esposa quanto pelas pessoas à sua volta. O que, porém, podia ser algo terrível acaba se mostrando de valor inestimável, na medida em que, a partir da morte, Daigo aprende sobre o valor da vida.
A filosofia do belíssimo e emocionante Okuribito encanta por nos mostrar exatamente que a morte deve ser encarada como uma passagem inevitável no ciclo de vida de cada um. Uma mudança de existência.
A história é simples e, por isso mesmo, humana: a questão do regresso às origens; de como o protagonista encontra em um ritual fúnebre um sentido para a própria existência; tudo, combinado a um mundo de belíssimas imagens, fazem de Okuribito uma maravilhosa experiência cinematográfica.
Apesar de ter vencido o Oscar, Okuribito é um filme japonês legítimo, sem concessões ao cinema ocidental. Um filme diferente dos padrões de Hollywood. De fotografia linda, o filme pode parecer estranho aos olhos ocidentais pela ausência de, digamos, exageros expressivos. Através do silêncio e do espaço vazio entre uma ação e outra é que se constrói as tensões de Okuribito. Porém, não falta emoção na película que não apenas mostra como lidar com a falta de entendimento da morte, mas também como aprender com seus fracassos e como o amor pode realmente vencer a angústia e o medo. Divertido, delicado, poético, profundo. Como Yojiro Takita soube tratar um tema que poderia ser visto como mórbido com tanta delicadeza! O filme é uma poesia em movimento. É incrível o modo como é retratada a morte, com uma pureza tão grande que nos toca profundamente.
A trilha sonora de Okuribito é preciosa. Tomando como gancho a passagem de Daigo por uma orquestra, a trilha é composta somente de grandes instrumentais com, claro, muito violoncelo. O elenco é particularmente bom, demonstrando uma química muito boa.
É um filme extremamente sutil e comovente. Embalado com ótimas músicas e um cenário que anda de mãos dadas com a história o filme vai crescendo, envolvendo e enternecendo. E termina no ponto certo...
Excelente! Filme mais do que recomendado. Com certeza mereceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro! E você pode conferí-lo aqui, com legendas em português!!!

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

The Mothman Prophecies (2002)

The Mothman Prophecies, ou A Última Profecia no Brasil, é uma produção americana dirigida por Mark Pellington que tem nota 6,5 no IMDb. O filme é baseado no livro homônimo do pesquisador John A. Keel, que relata fatos reais ocorridos na metade dos anos 60 envolvendo uma criatura conhecida como Mothman.
The Mothman Prophecies é um triller carregado de suspense que examina uma série de inexplicáveis acontecimentos através dos olhos - e da mente - de um homem, John Klein. John é um respeitado jornalista do Washington Post, que desesperadamente investiga as misteriosas circunstâncias que envolvem a morte da sua mulher Mary, e como poderão estar ligadas com estranhos fenômenos que se passam numa cidade onde vai parar sem saber como...
O Mothman (Homem Mariposa) é uma suposta criatura sobrenatural que, segundo relatos, apareceu em Charleston e Point Pleasant, entre novembro de 1966 e dezembro de 1967. Sua aparição está associada ao acontecimento de futuros desastres. Existem relatos de que a criatura foi vista nos dias que antecederam a vários acontecimentos trágicos no mundo.
A atração principal de The Mothman Prophecies é o diretor Mark Pellington, cujo trabalho antecessor foi o ótimo Arlington Road. Pellington sempre traz algo de novo, surpreendente, curioso e talvez assustador. Ele parece ser daqueles poucos diretores de Hollywood que esperam a oportunidade certa de fazer um bom trabalho.
The Mothman Prophecies é um suspense psicológico intrigante que explora um tema que sempre desperta uma inevitável atração, a existência de fenômenos sobrenaturais envolvendo misteriosas visões. E uma vez utilizando em sua trama uma adaptação de eventos reais acontecidos na década de 1960 na pequena cidade de Point Pleasant, o interesse na história torna-se ainda maior. O filme não tem sangue ou cenas fortes de horror, pois investe em elementos de suspense e tensão crescente, procurando dar forma às aparições do misterioso ser. E o roteiro consegue criar uma interação entre o espectador e o drama enfrentado pelo personagem John Klein, um jornalista bem sucedido cuja vida repentinamente desaba com a morte da esposa e depois com a sucessão de eventos de difícil compreensão que questionam sua própria sanidade.
Sem grandes efeitos especiais e contando com uma história inteligente e intrigante cheia de reviravoltas e detalhes que se complementam, The Mothman Prophecies estranhamente não foi bem nas bilheterias americanas, mas certamente é um grande entretenimento e um filme interessante que não desapontará os fãs do estilo. É o tipo de filme que vale a pena dar uma conferida. A lenda da criatura voadora é muito interessante. E assustadora.
Quer saber mais? Então não vacile, baixe logo porque o filme já vem com legendas em português!!!

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Paradox (2009)

Paradox, série inglesa exibida pela BBC One entre novembro e dezembro de 2009, foi considerada pela imprensa como uma versão para a TV de Minority Report. A série, que teve cinco episódios em sua primeira e única temporada, foi escrita por Lizzie Mickery. Tem nota 7,4 no IMDb.
Em Paradox, o Dr. Christian King é um físico que trabalha em uma empresa que presta serviços para o governo inglês tomando conta do satélite Prometheus. O cientista misteriosamente recebe um download automático não-autorizado do satélite que mostra imagens fragmentadas de acontecimentos que parecem ser do futuro.
Após receber as imagens e constatar que restam somente 18 horas para os acontecimentos ele entra em contato com a polícia local e pede para enviarem um detetive que seja inteligente e que tenha a mente aberta. A chefe de polícia então envia Rebecca Flint, uma detetive ambiciosa que vai averiguar a história do cientista.
Rebecca não leva a sério a possibilidade dos acontecimentos e acha que Dr. King irá explodir uma bomba. Ela junta uma equipe para investigar, formada pelos detetives Ben Holt e Callum Gada. Eles vão até a empresa de King e começam a investigar as imagens tentando achar uma lógica para os acontecimentos.
Durante a investigação descobrem que realmente se tratam de imagens do futuro e tentam a todo custo evitar que o acidente ocorra. Tudo o que se sabe é que as imagens foram transmitidas do espaço e servem de pista para o evento final, mas as possibilidades, nesse caso, são infinitas e incríveis. Enquanto o cientista tenta explicar a fonte das misteriosas fotos, a equipe corre contra o tempo para tentar evitar uma tragédia que nem mesmo eles sabem dizer qual é.
No início muitos detalhes aparecem e é difícil compreender o motivo de todos eles. Contudo, cena a cena, a série ganha fôlego e um ritmo viciante, que prende qualquer um numa onda de expectativas. Aos poucos os episódios e os personagens vão se tornando mais densos e verdadeiros. Além do mais, os detalhes estão ali por uma razão e tudo se explica ao longo dos episódios.
Paradox é uma série bem interessante para o estilo britânico de fazer seriados. Boas imagens e boas interpretações. A maneira como o roteiro é trabalhado realmente é de impressionar. A produção britânica mistura tensão e teorias científicas. O destaque é o modo como as histórias são conduzidas e ligadas, além da ótima trilha sonora de suspense que deixa você com o coração a mil.
Uma das características de quase todas séries inglesas é que como elas são mais realistas os eventos normalmente tendem a ser mais dramáticos. Além disso, normalmente as temporadas são curtas e têm poucos episódios, o que faz com que dificilmente o tema da série se esgote rapidamente.
Ficou interessado nessa série que tem o selo de qualidade da BBC? Então baixe logo, porque todos os episódios vêm com legendas em português!

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

De Zaak Alzheimer (2003)

Eric Vincke e Freddy Verstuyft são dois dos melhores detetives da polícia da Antuérpia. Quando investigam o desaparecimento de um oficial de alto escalão e a morte de duas prostitutas, as pistas os conduzem a Angelo Ledda, um assassino em fim de carreira. Desde que Ledda passou a mostrar sintomas do mal de Alzheimer, tornou-se difícil para ele cumprir seus contratos. Ao ser incumbido de assassinar uma garota de programa de apenas 12 anos, ele se recusa e transforma-se em alvo. Enquanto a dupla de oficiais o persegue e contabiliza os corpos, Ledda precisa fugir de seus empregadores. Mas quando percebe que está sendo usado em um jogo de poder político, decide mudar as regras do jogo.
De Zaak Alzheimer, conhecido no resto do mundo como The Alzheimer Case, é um filme belga dirigido por Erik Van Looy. Bem cotado no IMDb, tem nota 7,5. Este elogiado thriller policial foi o candidato da Bélgica ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2005. Ganhou sete prêmios e teve três indicações em festivais europeus. É baseado em um romance escrito por Jef Geeraerts, um dos melhores escritores da Bélgica quando se trata de romances policiais. Ele inclusive faz uma ponta, sentado num banco na delegacia de polícia. Os direitos para uma refilmagem americana já foram comprados.
É muito bom quando você assiste a um filme que poucas pessoas ouviram falar e se depara com um trabalho muito acima da média. É o caso de Alzheimer Case, um suspense policial de tirar o fôlego, capaz de deixar para trás muitos filmes americanos do gênero. O longa possui uma história muito bem conduzida e um vilão que causa simpatia nos espectadores, mesmo sendo um assassino profissional. Um filme imperdível!
Ótimo filme de ação, contando com excelentes atores em cenas vibrantes e bem feitas, além de um roteiro perfeito. A trilha sonora entra totalmente no clima de tensão, e a câmera segue de perto a ação. Tudo muito bem feito, contando com a criatividade de um produtor capaz e inteligente. A citação ao Mal de Alzheimer (doença que consome uma grande parte das pessoas idosas), foi de um brilhantismo a toda prova. Ledda tem que cumprir seus contratos antes que se esqueça dos objetivos de suas missões. Muito bom filme, digno de ser indicado ao Oscar.
O roteiro inclui ação, drama, corrupção política, dilemas éticos, e um bocado de violência. Uma raridade se assistir a um filme belga, ainda mais não falado em francês. Apesar do título dar a impressão de ser um drama, na verdade é um filme policial, bastante violento, bem dirigido, com muito clima. Embora a idéia do assassino recusar um caso e ir contra o Sindicato do Crime seja velha, tem reviravoltas diferentes que foram realizadas com eficiência.
Um assassino inteligente que dá trabalho para a polícia. Para quem gosta do gênero, é um filme tenso e fascinante. Mais uma produção acima da média de origem belga, que merece muito ser vista. Considerado por muitos como o melhor thriller policial já feito no país. Ficou interessado? Então não pense duas vezes, porque o filme já vem com legendas em português!

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domingo, 22 de novembro de 2009

Le Couperet (2005)

Le Couperet é uma co-produção entre Bélgica, França e Espanha dirigida por Costa-Gavras. Conhecido internacionalmente como The Ax e como O Corte no Brasil, tem nota 7,5 no IMDb. Cáustico e irreverente desde o primeiro minuto, esta adaptação do livro The Ax, de Donald E. Westlake, versa sobre um tema já abordado em outro filme europeu anti-globalização, El Método, feito no mesmo ano de 2005.
Bruno Davert é um executivo francês especialista em papéis, que perde seu emprego depois de 15 anos na mesma empresa, em um corte coletivo devido a fusões e incorporações empresariais. Dois anos depois ele continua desempregado e cada vez mais deprimido. Até que ele descobre uma solução para acabar com a concorrência no mercado de trabalho. Apesar de sua grande experiência e competência ele sabe que não é o único no mercado em busca de um bom emprego. Porém, ele tem um plano para eliminar a concorrência. Literalmente. Agora ele está disposto a tudo para conseguir um novo posto, inclusive partir para a ofensiva...
Le Couperet é um filme acima da média – um bom thriller, muito bem conduzido, roteirizado e com excelentes atuações. Costa-Gravas tem amor à polêmica, abordando assuntos bem espinhosos de maneira geralmente heterodoxa. O diretor faz a tensão nascer de quase nada, de um olhar, de um ruído, ou uma arma escondida. O jogo entre aquilo que é ocultado aos personagens mas que o espectador sabe sustenta o suspense. Num ambiente cru e realista e de uma forma quase leve, são levantadas questões de caráter político e social, onde podemos reconhecer, com medo, algo da nossa realidade, mais ou menos próxima. A forma de Costa-Gavras mostrar seu ódio pela globalização é horripilante, agressiva, perturbadora. É uma crítica social com uma pitada de humor negro ou um Falling Down com sotaque francês.
É fácil associar o crime e as medidas anti-sociais extremas às populações mais desfavorecidas ou com menos formação. Mas aqui, Costa-Gavras fala de um homem com formação superior que, ao contrário de alguns seus concorrentes que procuram trabalho em atividades menos qualificadas para continuar a sua vida, ele não concebe a mudança, nem de ramo nem de casa, por exemplo. O filme mostra o quanto um homem pode afogar-se em suas ambições, ilusões e desejos, e como a frustração destes pode radicalizar sua conduta. Bruno é uma personagem amoral, para quem os fins justificam os meios.
Uma curiosidade é que em Le Couperet há uma persistente campanha de publicidade de lingerie que nos distrai do que está a acontecer, da mesma forma que a sociedade se distrai com tudo que é material e superficial.
O filme vai mostrando de forma cadenciada a descrição de como o sistema funciona, de como pode ser ruim estar desempregado, arruinado. E o mérito do filme é este, mostrar como essa situação é desconfortável. Mostrar que uma pessoa é arruinada em sua vida em seus projetos, e o dia-a-dia é um desespero total.
Para variar, está previsto um remake desta fábula sobre o desemprego. Ficou interessado? Então lá vai, com legendas em português:

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Los Cronocrímenes (2007)

Hector é um homem de meia idade que entra acidentalmente em um dispositivo que o faz viajar no tempo e retornar 1 hora antes. Este acontecimento inusitado faz Hector encontrar a si mesmo, desencadeando uma série de eventos e gerando consequências desastrosas e incontroláveis numa elaborada trama onde não são permitidos acasos, nem acidentes.
Los Cronocrímenes é o primeiro longa de Nacho Vigalondo, também diretor do curta 7:35 de la Mañana, indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em 2005. Conhecido internacionalmente como Timecrimes, tem nota 7,2 no IMDb. Com orçamento relativamente baixo (dois milhões de euros) e investindo pesado em um conceito simples e engenhoso, que parte de um ângulo pouco explorado do sempre instigante tema da viagem no tempo, Los Cronocrímenes arrasou em festivais por todo o mundo, arrecadando vários prêmios. O diretor conseguiu chamar a atenção de Hollywood, que comprou os direitos e lançará um remake em 2011.
Vigalondo dirigiu, escreveu o argumento e também atua no filme. Abrindo mão de grandes atores, protagonistas atraentes, efeitos especiais e violência ou nudez gratuita, e considerando o plot complexo, o resultado final entregue é memorável. Desde o começo do filme você sabe o que vai acontecer, mas não entende exatamente como tudo começou ou como tudo terminará. Está exatamente aí o grande mérito do diretor: o filme é perfeitamente amarrado, mesmo que algumas pontas tenham dois nós. Também outro fator de sucesso é a direção cautelosa de Vigalondo, mesmo com todas as limitações de orçamento, ele sabe fazer a diferença e cria momentos tensos e preciosos.
Los Cronocrímenes consagra mais uma vez o cinema espanhol, com um argumento simplesmente genial, simples mas de uma complexidade absoluta, com substância. O roteiro engenhoso, a trilha sonora e a boa atuação do elenco fazem deste filme um dos grandes de 2007. Trata-se de um filme muito inteligente, cheio de pormenores significativos e com a sombra de algum sentido de humor. Los Cronocrímenes tranforma-se num triller de ficção científica cheio de tensão, levando o espectador a montar um excelente quebra-cabeças. Você se coloca por diversas vezes na pele de Hector, tamanha veracidade de como tudo se desenrola. Los Cronocrímenes é um filme angustiante, tenso, estranho e envolvente. Um suspense eficiente, mesmo não sendo tão original quanto de costume. O projeto tem uma premissa muito simples mas funciona perfeitamente, conseguindo ser muito além do que o espectador espera. Um filme onde a simplicidade é o ponto chave do sucesso. Para fazer muita gente ver como com pouco se faz muito.
É recomendável a quem assistir a ficar bem atento aos pequenos detalhes que servem de pistas para a intricada trama. É um daqueles filmes que exigem uma atenção extra do espectador. Se você é fã de filmes "cabeça" vai apreciar Los Cronocrímenes do começo ao fim. Se não for sua praia assista assim mesmo, mas esqueça as pipocas e outras distrações. Para quem assistiu vale uma reprisada, até para tirar algumas dúvidas que eventualmente tenham ficado da primeira vez. Vale a pena conferir! Ainda mais quando o torrent já acompanha as legendas em português, né?

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Loft (2008)

O que se pode esperar quando 5 homens decidem compartilhar um apartamento? 5 amigos, todos casados e que se conhecem bem decidem usar um Loft juntos. O objetivo é terem um lugar discreto para encontrarem amantes e casos fortuitos. Tudo corre como planejado, até que certa manhã um acontecimento trágico ocorre: uma jovem mulher desconhecida é encontrada morta nesse apartamento por um deles. Os 5 amigos começam a suspeitar uns dos outros, fazendo com que eles percebam que não se conhecem tão bem quanto pensavam.
Loft é um filme belga dirigido por Erik Van Looy, diretor de filmes como o elogiado The Alzheimer Case. O filme, falado em flamengo (uma variação de holandês falado na Bélgica) está bem cotado no IMDb com nota 7,7. Loft é considerado pela crítica uma obra-prima que entrou para a história do cinema da Bélgica.
Erik Van Looy acerta mais uma vez na direção. Loft tem uma bela fotografia, os cenários parecem de uma revista de design de interiores.
Lembra um pouco o filme The Usual Suspects, mas com uma história envolvendo amigos, amantes e traições. O filme demora um pouco para esquentar, mas logo o diretor nos leva a uma montanha-russa que quer sair do trilho. O roteiro é muito inteligente. Quando você acha que entendeu tudo o que aconteceu no apartamento ele toma outra direção, é como tentar segurar uma barra molhada de sabão. A ideia do filme é ótima, o filme é cheio de suspense e reviravoltas.
A maior realização de Van Looy é evitar o pecado que a maioria dos filmes do gênero cometem: a negligência dos personagens. Sem perder o ritmo, conseguimos realmente conhecer os peões de nosso jogo de xadrez, e as motivações de cada um começam a afundar, mesmo quando o personagem parece o suspeito mais provável. A narrativa do filme é não-linear, indo e voltando no tempo para contar os eventos que levaram à confusão em que os cinco amigos se envolveram.
Quando você tem uma boa história para contar, há muitas ferramentas que podem ser usadas para envolver o público. Os criadores cuidadosamente fizeram uso de vários fatores para tornar o filme cativante. Ele instiga o seu interesse, acordando o detetive particular escondido na mente do espectador. Você não apenas assiste ao filme, você participa dele. Durante mais de 90 minutos você pode sentir a tensão e o ritmo fantástico deste filme... Mas em nenhum momento se sente o realismo e emoção desaparecerem. O final é realmente inesperado e surpreendente. Palmas para o brilhante Erik Van Looy, que se mostra mais uma vez como um dos maiores diretores belgas! E não vamos esquecer do roteiro maravilhoso escrito por Bart De Pauw.
A Bélgica vem mostrando ultimamente que sabe fazer cinema de qualidade. É um filme bem acima da média se comparado com esses suspenses que são lançados constantemente. Loft é uma ótima diversão! É um filme ao estilo de Hollywood? Sim, mas não uma cópia de qualidade inferior.
Recomendado!!! Ótimo thriller, que você assiste aqui com legendas em português...

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sábado, 17 de outubro de 2009

Arlington Road (1999)

Michael Faraday é um professor universitário especializado em terrorismo. Sua esposa, uma agente do FBI, morreu em um tiroteio. Vivendo nos subúrbios de Washington, Faraday começa a suspeitar de seus novos vizinhos, Oliver Lang e sua esposa Cheryl, que ele conhece após salvar o filho do casal, Brady, de um acidente. Inicialmente suas suspeitas baseiam-se em uma pequena mentira contada por Lang. Desconfiado de que há algo de errado naquilo, ele começa a investigar o seu passado para tentar descobrir quem são seus vizinhos e o que eles realmente pretendem. Estaria ele mexendo com o perigo real ou sua cabeça estaria imaginando coisas que não existem? A cada momento, o mistério se aprofunda e as perguntas aumentam - com Faraday sendo consumido pelo medo e pela paranóia. Existe mesmo uma conspiração sendo tramada na Rua Arlington? Arlington Road, chamado de O Suspeito da Rua Arlington no Brasil, é dirigido por Mark Pellington e sua nota no IMDb é 7,2. É um forte suspense contemporâneo sobre as terríveis verdades que se escondem nas aparências do dia-a-dia. Arlington Road vai manter você em grande tensão ao revelar como nós sabemos muito pouco sobre o mundo que nos rodeia...
Arlington Road tem, entre muitas qualidades, uma que se destaca além das demais: é um filme que exprime, em uma trama excitante e imprevisível, uma das paranóias norte-americanas mais comuns, que é a desconfiança geral e irrestrita, a crença de que não se pode confiar em ninguém que não seja parte da família. De alguma forma, o filme de estréia de Mark Pellington atinge um nervo vital da sociedade dos EUA, que é esse problema da desconfiança. Associada ao medo do terrorismo, essa característica faz do filme uma peça de valor mais abrangente do que o simples entretenimento.
É importante destacar que esse filme é de 1999, ou seja, de antes do atentado terrorista que destruiu o World Trade Center, em Nova York. Portanto, o roteiro que descreve com precisão o sentimento de impotência da sociedade americana diante do terrorismo tem um mérito ainda maior.
O bom elenco valoriza bastante o maior trunfo do longa-metragem, que é o roteiro inteligente e cheio de reviravoltas do também estreante Ehren Kruger, que depois escreveria o terror The Ring. Esse é um filme que vai lhe fazer pensar, e deixar com uma interrogação na cabeça mesmo depois da projeção.
Tem certos filmes de terror que não conseguem deixar o espectador tão tenso como este! Eis aí um filme que deixa qualquer um grudado no sofá, com os olhos esbugalhados e com um peso no peito quando os créditos anunciam o seu final. O ritmo do filme é marcante e seu desfecho deixa qualquer um boquiaberto. A versão lançada em DVD traz um segundo final para o filme.
Uma trama inteligente e surpreendente, com um final inesperado e impactante. Fantástico. Vale a pena ver.
Filmaço recomendadíssimo, que você pode conferir aqui com legendas em português!!!

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domingo, 11 de outubro de 2009

El Método (2005)

El Método é um filme argentino-hispano-italiano de 2005 dirigido por Marcelo Piñeyro e baseado na obra teatral El Método Grönholm, do espanhol Jordi Galcerán. Seu título internacional é The Method, e no Brasil é conhecido como O Que Você Faria?. Sua nota no IMDb é 7,5.
Sete executivos disputam uma vaga numa empresa na mesma manhã em que Madri está sendo convulsionada por marchas de protesto contra a globalização e a política monetária do FMI, que ali realiza sua reunião. Logo são informados de que serão submetidos a uma seleção diferente da habitual - o chamado Método Grönholm. O grupo é deixado a sós numa sala fechada e, a partir de uma série de testes propostos pela empresa via computador, começam a interagir. De cara têm que descobrir quem é o agente da empresa infiltrado entre eles - já que o único funcionário que viram até então foi a secretária Montse, que os recebeu e os acompanha para fora da disputa com o mesmo imutável sorriso. São sete personalidades bem diferentes, mas, da jovem segura de si ao senhor machista, no começo todos acreditam ter o controle total sobre seu comportamento e suas emoções. Porém os jogos os colocam diante de várias situações limite e, sabendo que estão sendo constantemente observados e avaliados, chegam a um nível de tensão insuportável. O resultado são embates brilhantes - alguns dolorosos, outros bem cômicos. Afinal, ninguém quer ser um dos seis a perder a disputa.
El Método é um dos mais violentos panfletos que o cinema já fez contra o capitalismo, especialmente contra o capitalismo selvagem que se abateu sobre o mundo após o fim do comunismo, com as fusões e aquisições entre os grandes conglomerados e o aumento do desemprego.
Uma obra-prima. O texto é todo brilhante, e o diretor Marcelo Piñeyro, autor do belíssimo Kamchatka, de 2002, faz tudo funcionar com perfeição num ambiente claustrofóbico, de tirar o fôlego do espectador, de uma sala fechada de uma grande corporação. Um filme que tem pouquíssimos recursos visuais mas mesmo assim prende a atenção o tempo todo.
A tensão cresce mais e mais, até um ponto que nenhum ser humano decente poderia imaginar. Eles não serão mais seres humanos normais, educados, que estudaram muito, se encheram de pós-graduações e MBAs e doutorados – serão como gladiadores no circo romano. É matar ou ser morto. O filme tem um brilho especial, é uma maravilha. Não há falha alguma, por menor que seja. Todos os atores estão excelentes.
El Método é inclusive usado em aulas de Gestão de Recursos Humanos. Mostra a realidade do mundo competitivo. Até onde você iria para garantir o seu emprego? E até que ponto a empresa chega para buscar o funcionário considerado ideal? Um filme que nos faz refletir muito sobre ambos os lados.
Hermético, inteligente e divertido, El Método não significa muito mais do que algumas horas de entretenimento contextualizado de forma esperta, cheio de questões sociais. E nem precisa significar mais. Quem já tenha participado de processos de seleção encontrará aqui exemplos bem perto da realidade. Talvez seja por isso que a força das conclusões a que chegamos quando pensamos na capacidade do ser humano para ser predador dele mesmo sejam tão assustadoras.
Ficou curioso? Então assista logo, com legendas em português!

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Die Welle (2008)

Die Welle, chamado de A Onda no Brasil e de The Wave internacionalmente, é uma excelente produção alemã dirigida por Dennis Gansel que tem nota 7,5 no IMDb.
Rainer Wenger é um daqueles professores modernos que todos os alunos gostam: com sua camiseta da banda punk Ramones, planeja ministrar o tema anarquia durante a semana de disciplinas eletivas. Porém, a diretora acaba por lhe dar um tema diferente do combinado e agora ele terá que lecionar o tema autocracia (forma de governo na qual um único homem detém o poder supremo). Como forma de improviso, o professor decide dar uma aula diferente do convencional.
O professor começa então a realizar ações com os alunos que visam estabelecer um vínculo maior entre eles, como marchar no mesmo ritmo, sempre levantar para falar com o professor, chamar o professor sempre de senhor, usar uniforme, etc… Aqueles alunos que não tinham interesse nas aulas, que tinham ligações com seus grupos, com suas preferências específicas e suas identidades, começam a levar a sério esta proposta. Em pouco tempo, é criado um movimento denominado Die Welle, que faz com que os jovens criem um espírito de grupo que elimina as diferenças entre eles. A iniciativa traz uma série de benefícios, como uma maior aplicação dos alunos ao estudo e uma melhora significativa nas notas; um aluno que era discriminado anteriormente, quando entra para o movimento encontra um meio de se socializar e ser aceito pelos outros. A própria diretora da escola, impressionada com as mudanças, apoia o movimento. Mas a coisa vai longe demais...
Fortemente inspirado na experiência The Third Wave, de Ron Jones, Die Welle é um dos grandes filmes da nova safra de bons filmes alemães do momento. Como a maior parte dos filmes europeus, ele não é desproposital. Por trás de sua excelente história, temos uma excelente mensagem a respeito do nazismo. A experiência de Ron James, anteriormente, virou um romance, um curta metragem de 1981 para a televisão, no canal ABC, e agora este sensacional filme. Die Welle segue a risca a história descrita por James, cujos elementos do filme de 81 estão todos presentes, a não ser o final, que é arrebatador e fantástico nesta nova versão. Esta adaptação realizada pelo cinema alemão é quase um filme pedagógico, que faz com que a chamada responsabilidade histórica que os alemães possuem em relação ao Holocausto seja repensada e discutida. Um filme sobre a psicologia das massas: a escola aparece então como um microcosmo da Alemanha nazista, ou de qualquer nação sob o viés totalitário.
Die Welle mostra mais uma vez que os melhores filmes no quesito conteúdo se encontram ainda na Europa. O cinema europeu consegue retratar bem certos assuntos diferentes, que envolvem o cotidiano mas ao mesmo tempo mantém um certo clima surpreendente. O modo como o tema ditadura é abordado é impressionante. Enfim, vale a pena assistir e se chocar com Die Welle, que deixa um alerta: o que aconteceu em nosso passado não é impeditivo para que aconteça novamente.
Quer assistir a esse filmaço com legendas em português? Então fique à vontade...

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sábado, 19 de setembro de 2009

Mirageman (2007)

Anos atrás, quando era apenas uma criança, Maco Gutierrez sobreviveu a um trágico assalto que culminou no covarde assassinato de seus pais e no estupro do seu irmão caçula que, por consequência, acabou ficando com um grave distúrbio psicológico, vivendo em estado quase catatônico em um hospital psiquiátrico. No presente, Maco treina seu corpo e mente através de rigorosos exercícios físicos, artes marciais, dieta balanceada e auto-disciplina como forma de dominar sua própria agressividade e garantir que ele nunca mais seja vítima de ninguém, o que acaba sendo bastante útil no seu emprego como segurança de uma boate onde tem que lidar com clientes malas e um chefe escroto. Tudo muda quando durante uma corrida matinal, Maco presencia um assalto a uma residência e decide intervir. Primeiro ele nocauteia um assaltante e se apodera da sua máscara. Dentro da casa, Maco domina, com as mãos nuas, o resto dos bandidos facilmente e salva uma jovem que estava prestes a ser estuprada e sua família. Acontece que a tal jovem é Carol Valdivieso, uma repórter que passa a promover seu benfeitor no telejornal como um super-herói. Ironicamente, as notícias sobre o misterioso vigilante influenciam positivamente no estado mental do irmão de Maco, que passa a considerar seriamente a prosseguir em sua carreira heróica. Depois de um cuidadoso planejamento, Maco estréia nas ruas de Santiago como Mirageman, protetor dos fracos e oprimidos. Mas será que no mundo cínico e cruel de hoje apenas boas intenções podem fazer a diferença?
Excelente produção chilena merecidamente consagrada pelo público e crítica como um dos melhores filmes de super-herói já feitos. O filme foi premiado em festivais no Chile, e também foi escolhido o filme do ano de 2007 pela Rolling Stone chilena. Do ponto de vista criativo, Mirageman não faz feio perto de qualquer super-herói americano e ainda ganha pontos por ser um personagem totalmente original. O contexto realista da história extrapola ainda mais ao mostrar um sujeito absolutamente normal e comum em uma situação extrordinária. Maco não voa, não tem super-força, não sobe pelas paredes, não é rico e nem mesmo é muito inteligente. O filme fica ainda melhor ao mostrar a reação da sociedade em geral a um vigilante uniformizado. Curiosamente, o personagem título quase não tem falas, reforçando seu lado durão, o que não interfere nada na performance do ator que consegue passar toda a complexidade de Maco através do olhar e de gestos.
É o segundo filme do trio responsável por Kiltro, o primeiro filme de artes marciais da história do cinema chileno. Em Mirageman, o diretor e roteirista Ernesto Díaz Espinoza demonstra um grande senso de equilíbrio alternando muito bem elementos de drama, comédia e ação. A câmera de Espinoza durante as cenas de luta privilegia a excelente coreografia em vez da montagem superestimulante, comum a outros filmes do gênero. Outro ponto a destacar é a montagem e a música que dão ao filme um clima de seriado dos anos 70 e 80. Mais do que mostrar que um homem pode sim fazer a diferença, Mirageman é a prova de que um filme fantástico não precisa de orçamentos milionários e efeitos especiais de ponta para ser bom.
Mirageman, apesar de ser um filme recente, com a história de um herói mascarado puramente chileno que combate o crime pegando o ônibus, já se tornou um verdadeiro cult. Existem até vídeos virais com suas habilidades na internet, um deles com a aparição do Chapolim...
Esse sim é um filme que pode ser chamado de pérola, e que tem arrancado a atenção de muita gente. Está longe de ser algo comum, pois é um dos exemplos mais concretos de como humanizar um herói. Confira já este filme, que tem nota 7,0 no IMDb, com legendas em português!!!

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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

13 Game Sayawng (2006)

13 Game Sayawng, conhecido internacionalmente como 13 Beloved e como 13 Desafios no Brasil, é um thriller psicológico tailandês. Teve orçamento de apenas 400.000 dólares. Phuchit Puengnathong, ou simplesmente Chit, é um vendedor. Mora na cidade de Bangkok há algum tempo, e como não tem namorada (a última o deixou há alguns meses), a única coisa útil que faz é trabalhar, até que chega um dia em que tudo dá errado. Depois de ter sido passado para trás por um dos vendedores da sua empresa, ser demitido, ter seu carro guinchado e receber uma carta do banco relatando uma dívida de 80000 bahts, ele se sente o pior ser humano da face da Terra. Mas isto tudo está para mudar quando ele recebe um misterioso telefonema com uma oferta irrecusável. Se ele completar 13 desafios, ele receberá 100 milhões e ajeitará a sua vida para sempre. Só que ele não sabe quais são estes desafios. Mesmo assim ele aceita a proposta e a competição começa…
São 13 tarefas que ele deve cumprir, cada uma delas valendo um prêmio em dinheiro, suficiente para mudar completamente sua vida. A tarefa final vale 100 milhões. As únicas coisas que ele tem que fazer são as tarefas oferecidas e seguir 3 regras simples:
1ª: Se ele quiser desistir do jogo, ele perde tudo o que ganhou;
2ª: Se alguém descobrir que está jogando esse jogo, ele perde;
3ª: Se tentar contatá-los ou tentar descobrir a origem do jogo, ele perde.
Regras fáceis, que valem o sacrifício pelo prêmio final. Tudo começa de maneira simples, mas assim como qualquer jogo a dificuldade aumenta e o que se tem que fazer às vezes entra em conflito com alguns princípios morais…
O filme funciona bem e o roteiro é bem original, sendo tenso e ágil ao extremo em algumas das missões. As tarefas que são propostas a ele não são daquelas que ofereceriam a um matador de aluguel ou a um atleta, elas são perfeitas para ele, Chit, apenas um vendedor sedentário.
Como dá para perceber, 13 Beloved não é bem um filme de terror apesar do cartaz sugerir isso. Também não é bem um filme de suspense, tampouco chega a ser um drama. Talvez seja um pouco disso tudo misturado com um pouco de humor negro. O filme é cativante por ter um ritmo rápido, um ritmo de jogo, com acontecimentos importantes a todo momento. Quem assiste fica grudado na frente da tela curioso pra saber qual será o próximo desafio... por isso o filme é bom, sempre tem uma coisa nova a cada momento. Os desafios são interessantes, fortes e até engraçados. 13 Beloved é, por incrível que pareça, um filme que faz pensar, vestido numa roupagem de filme puramente para divertir. É um filme que mexe com as entranhas tanto durante as cenas nojentas quanto nas fortes e violentas, mas inevitavelmente você pensa: e se fosse eu no lugar dele? Aceitaria o desafio? Até onde eu iria chegar? Será que eu teria coragem de fazer isso?
13 Beloved é uma adaptação do episódio 13th Quiz Show, que faz parte da graphic novel My Mania, de Eakasit Thairaat. É o segundo filme de Chukiat Sakveerakul, que antes dirigiu Pisaj, filme de horror de 2004. O diretor disse que o filme é uma reflexão sobre o materialismo na sociedade tailandesa. O filme tem nota 7,0 no IMDb e já teve seus direitos comprados por um estúdio americano, o que deve significar um remake vindo por aí...
Existe um curta metragem chamado 12 Begin, que é um prequel e foi lançado como parte da campanha publicitária do filme. Uma sequência está em fase de pré-produção, chamada de 14 Beyond.
Quer assistir a esse filme, que recebeu várias premiações na Tailândia e em festivais internacionais, com legendas em português? Então está aí, ó...

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sábado, 5 de setembro de 2009

11:14 (2003)

A estrutura se assemelha à de Go e Pulp Fiction. Mas o enredo difere completamente. Desconhecido no Brasil, o cineasta norte-americano Greg Marcks estréia em longa-metragem com 11:14. Diretor e roteirista, recém-formado em cinema numa universidade da Flórida, havia feito antes apenas o curta Lector, em 2000. Com 11:14, de 2003, sua primeira incursão em longas, que no Brasil não passou pelos cinemas e foi direto para as locadoras, revela a vontade e a capacidade de propor uma narrativa pouco usual, mas sem maiores arroubos estéticos ou formais.
11:14 mostra uma série de eventos que convergem e acontecem inesperadamente às 11:14 da noite na pequena cidade de Middleton. Em seqüências inesperadas, as vidas de alguns moradores da cidade vão se envolvendo em cinco histórias diferentes que se desenvolvem ao redor de uma esperta, sexy - e instigante - adolescente. As coisas não param de acontecer fora do planejado por ela, com vários acidentes ocorrendo, jogando areia nos seus esquemas. Destaque para o elenco desta comédia dramática, com uma grande quantidade de nomes famosos presentes no elenco. Vai desde Patrick Swayze até a oscarizada Hilary Swank, passando pela talentosa Barbara Hershey e os jovens Shawn Hatosy e Colin Hanks (filho do ator Tom Hanks). Este é um daqueles filmes quebra-cabeças, com diferentes histórias paralelas que se entrecruzam até um final comum. Em uma pequena cidade, Jack está dirigindo e falando ao celular enquanto o relógio de seu carro marca 11:14. Ele atropela um homem. Depois de muito pensar no que fazer, ele coloca a vítima no porta-malas. Norma é outra motorista que passa pelo local e que acredita que o rapaz tenha atingido um veado; ela insiste em procurar o animal acidentado e acaba chamando a polícia. Quando o oficial Hannagan chega ao local, ele já está com dois outros detidos em sua viatura. Cansado de ler os diretos das pessoas e de executar toda a rotina da captura, ele leva Jack em cana sem muito discutir. Para um outro grupo de pessoas, esta noite também está sendo bem agitada. Entre elas, estão a balconista Buzzy, Cheri, que é filha de Norma, e uns adolescentes problemáticos. Com essas narrativas paralelas, o filme mostra do que algumas pessoas são capazes para salvar a própria pele e a das pessoas que amam. É uma fábula moral que mostra que nada de bom pode vir de atitudes erradas. O diretor e roteirista novato Greg Marcks vale-se para tanto de momentos cômicos e dramáticos.
A narrração é instigante. Os eventos não são improváveis, apenas bizarros, é isso o que torna as histórias interessantes. Há algumas tiradas de humor negro que funcionam.
Este filme tem boas críticas. Tem uma classificação de 7.3 no IMDB e é apelidado de inovador. No final das contas mostra-se uma produção que consegue entreter e deixar o espectador interessado. O filme não pretende fazer nenhum tipo de estudo de personagens ou analisar uma determinada situação do país, é um mero exercício de estilo do diretor, que resulta em um projeto diferente. É interessante acompanhar como as ligações entre os diferentes núcleos são estabelecidas, sempre apresentadas em poucos minutos, mas que se mostram bem satisfatórias.
Se você não acredita que desgraça pouca é bobagem, não perca a chance de ver esse filme! Com legendas em português, claro...

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Falling Down (1993)

Falling Down, ou Um Dia de Fúria, como é conhecido no Brasil, é uma produção americana dirigida por Joel Schumacher. Com o roteiro escrito por Ebbe Roe Smith, o filme tem 7,5 no IMDb.
Avenidas congestionadas. O medo vive nas cidades. Nas lojas e restaurantes o cliente raramente tem razão. A pressão da vida nas grandes cidades incomoda qualquer um. Mas para Willian Foster, isso tudo é mais do que um incômodo. Preso em um engarrafamento num dia quente de verão, Foster tem uma espécie de colapso nervoso devido ao calor e ao estresse. Emocionalmente perturbado, decide abandonar seu carro no local e seguir a pé para a casa de Beth, sua ex-mulher, e da filha, sem sequer reconhecer que o seu casamento já acabou há muito tempo. Porém, no decorrer do trajeto ele é gradualmente envolvido pela violência das ruas de Los Angeles, um pesadelo urbano que se torna absurdamente engraçado e violento. Em seu caminho, Foster vai eliminando quem cruza seu destino. Para ele, chegou a hora de dar o troco. Prendergast, um policial em seu último dia de trabalho antes de se aposentar, arrisca sua vida para tentar detê-lo.
O filme é narrado em uma única e gigantesca montagem paralela: uma dia na vida desses dois homens comuns, cada um tendo que lidar com os problemas do cotidiano e com uma situação fora do comum. É interessante observar a simetria perfeita que Schumacher conseguiu imprimir aos dois personagens principais. Ambos estão presos no mesmo engarrafamento quando o longa-metragem começa, e se encontram também no mesmo lugar quando o filme termina, com uma cena alegórica muito bonita. O recheio é de primeira qualidade. Schumacher faz comentários sociais corrosivos sobre o fracasso do “sonho americano” e não perde a oportunidade de alfinetar os curiosos hábitos comerciais das lanchonetes norte-americanas, em uma das sequências mais satíricas do filme. Na verdade, a construção psicológica do protagonista é uma das mais interessantes vistas no cinema americano recente. Ele tem uma lógica perfeita e uma explicação racional para cada um dos atos tresloucados que comete. Essas justificativas se ancoram, sempre, em algum tipo de idiossincrasia típica da sociedade americana, como a obsessão por armas de fogo, o fenômeno das gangues formadas por latinos ilegais e a xenofobia. A trajetória do personagen, que se enreda cada vez mais profundamente em um abismo sem saída que não consegue perceber, é ao mesmo tempo angustiante e bem-humorada; poucos filmes ousam trabalhar nessa fronteira com a desenvoltura deste aqui. Falling Down se constitui como a melhor obra da carreira de Schumacher, bem como um pequeno e subestimado clássico do cinema dos anos 90.
Falling Down foi rodado durante os distúrbios ocorridos na cidade de Los Angeles, em 1992. Para quem não sabe, foi a guerra civil em que Los Angeles se meteu em 1992 após o espancamento do negro Rodney King por policiais brancos. O que mais impressionou na época foram as cenas da revolta: jovens negros tomaram o bairro de South Central. Berço de Hollywood e segunda maior cidade dos Estados Unidos, Los Angeles foi abandonada pela polícia, que temia pela reação (justificada) da comunidade negra após o espancamento e absolvição dos policiais brancos. Morreram 60 pessoas. Incrível, foi há apenas 17 anos...
Vale a pena ver de novo (ou conhecer) a saga de Foster, um cara comum em guerra com as frustrações do dia a dia... As legendas em português estão aí...

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sábado, 15 de agosto de 2009

Eden Lake (2008)

Eden Lake, chamado no Brasil de Sem Saída, é dirigido por James Watkins. Dos mesmos produtores de Abismo do Medo, essa produção britânica tem nota 7,0 no IMDb.
Steve planejou um fim de semana romântico com a namorada à beira de um belo lago, onde pretende pedir a mão dela em casamento. Longe de tudo e de todos, o que parecia ser um fim de semana paradisíaco transforma-se num inferno quando os dois encontram um grupo de jovens e passam a ser aterrorizados por estes. É o começo de um confronto sórdido e sangrento.
A sinopse não traz nada de novo ao gênero, mas a abordagem intimista e realista do britânico James Watkins, que faz sua estréia na direção, é uma lufada de ar fresco no cinema de terror, típica de quem ainda não foi possuído pelos clichês comuns ao gênero. Ele dá ao filme um ritmo incansável, e a sua temática torna todo o discurso perturbador e aflitivo.
Eden Lake sem dúvida é um dos melhores thrillers de 2008. Trata de um tema atual, o bullying, e mostra um massacre físico e psicológico que culmina de forma inesperada e estrondosa. O filme é violento com todas as letras, transporta o clima da violência juvenil do Reino Unido de uma forma nua e crua. Não vive de efeitos especiais nem de gore, retrata de forma muito real a trama, o que também é reforçado por ótimas atuações, principalmente do grupo juvenil.
Eden Lake é a prova de que o survival horror é um gênero que sabe renovar-se cada vez que parece desgastado. Cada vez mais, parece que os ingleses sabem muito bem o que fazem! O filme é muito eficaz. Eden Lake não é um mero filme de sustos, é um retrato, realista e duro, de um interior esquecido e entregue a uma violência arcaica do ponto de vista de quem está habituado ao urbanismo civil de Londres. Talvez aí resida o seu maior mérito. É uma situação que pode acontecer a qualquer momento e com qualquer um, já que estamos falando de seres humanos e não de algo fantástico ou fantasmagórico.
Os 10 minutos finais são aterrorizadores, e é onde Eden Lake mostra-se perspicaz e brilhante. É neste ponto que o filme entra num caminho nunca visto num filme deste gênero – um caminho bem perigoso e polêmico.
O filme ficou inédito nos cinemas brasileiros. Mas é claro que você pode assistí-lo aqui, com legendas em português!

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sábado, 8 de agosto de 2009

Secret Window (2004)

Secret Window, ou Janela Secreta no Brasil, é uma produção americana dirigida por David Koepp, que também escreveu o roteiro. O orçamento de Secret Window foi de US$ 40 milhões, e tem nota de 6,4 no IMDb.
Um escritor bem sucedido de livros comerciais, Mort Rainey, está enfrentando uma crise pessoal após o fim de seu casamento e a separação de sua esposa adúltera, Amy, que o largou para ficar com Ted. Ele então decide se isolar numa cabana à beira de um lago em busca de paz, num belo local chamado Tashmore Lake. Mas não consegue escrever nada novo sofrendo de um bloqueio criativo por causa do divórcio traumático, utilizando a maior parte do tempo para dormir num sofá, num estado depressivo. Para complicar a situação, a aparente tranquilidade da cabana desaparece de vez quando um misterioso homem, John Shooter, um caipira vindo de Mississipi, surge subitamente e começa a atormentá-lo alegando que Rainey se beneficiou do plágio de um de seus melhores contos, que havia sido escrito vários anos antes, em 1997, e que somente o desfecho foi alterado. Diante disso, o estranho homem agora está exigindo uma reparação pública e indenização ou uma prova concreta do contrário num curto espaço de tempo de apenas 3 dias, pressionando de forma agressiva o escritor e demonstrando também possuir sinais de ser uma pessoa mentalmente perturbada e perigosa.
Envolvido involuntariamente num jogo mental de gato e rato, Rainey descobre ter mais astúcia e determinação do que jamais imaginou. Ao final, ele percebe que o evasivo Shooter talvez o conheça melhor do que ele conhece a si próprio.
O filme é baseado em um conto de Stephen King, o que mais uma vez comprova que as histórias do autor baseadas em personagens humanos, e não no sobrenatural, são aquelas que rendem os melhores filmes. Divertido é ver o filme imaginando que Mort Rainey, o escritor interpretado por Johnny Depp, é o próprio Stephen King.
David Koepp soube escolher muito bem a sua equipe técnica e conseguiu entregar um filme com características artísticas interessantes, movimentos de câmera muito bem planejadas e boa direção de atores. Secret Window evolui cada vez mais assustador, mas sempre mantendo a credibilidade. Mesmo quando pessoas começam a morrer, o espectador continua vendo coerência no roteiro conciso, quando qualquer outro diretor poderia se render ao exagero e ao absurdo. Um dos destaques do roteiro é deixar o espectador permanentemente na dúvida: afinal, Mort plagiou ou não a história de Shooter? Koepp acerta até ao criar situações de humor negro. Mas o mais curioso de Secret Window é o final surpresa, que poderá ser realmente chocante para alguns. A idéia é bem bolada e realmente faz sentido, sendo uma criativa conclusão para a trama.
Secret Window é um filme que realmente irá lhe render uma hora e meia de pura diversão e alguns bons sustos, além do bem bolado clima de mistério. Mesmo que não seja um novo clássico do gênero, nem tenha nada de tão espetacular, a produção é de excelente nível, com a direção segura e o roteiro perfeito de Koepp realmente prendendo o espectador do início ao fim, sem sustos gratuitos, situações absurdas ou reviravoltas forçadas. Uma verdadeira surpresa, que pode ser vista com legendas em português:

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Frailty (2001)

O talentoso ator Bill Paxton estreou na direção com um perturbador thriller de horror que trata de insanidade e o mal interior do Homem. Frailty (ou A Mão do Diabo no Brasil) entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em novembro de 2002, com um roteiro assustador do estreante Brent Hanley.
O FBI está à procura de um perigoso serial killer, que se autoproclama como "Mão de Deus". Até que surge Fenton Meiks, um misterioso homem que afirma conhecer a identidade do assassino e deseja falar com o agente que lidera as investigações, Wesley Doyle. De início o agente não se mostra impressionado com a afirmação de Fenton, mas fica curioso com a história e pede maiores explicações sobre ela. Fenton conta que o assassino é seu irmão, passando a narrar através de uma série de flashbacks sua perturbadora infância nas mãos de um pai que acreditava que o filho estava numa missão divina que consistia em destruir demônios que habitam corpos humanos.
A Mão do Diabo teve seu título nacional escolhido de forma equivocada, pois seria melhor algo como “Fragilidade”, numa tradução literal do nome original, pois segundo os produtores o título foi justamente escolhido por tratar da “fragilidade da percepção humana” (no início da produção o filme iria se chamar “God’s Hand” e com a entrada de Bill Paxton no projeto passou para o definitivo Frailty). O filme é um excelente thriller que investe mais na sugestão, no horror psicológico e na perturbação interior dos personagens, para contar sua história de loucura e maldade, apostando bem menos na exibição de sangue propriamente dito e trazendo elementos que lembram o clima de suspense característico dos melhores filmes de Alfred Hitchcock. Podemos também notar similaridades com outros diversos filmes do mesmo estilo como por exemplo “O Iluminado” , “Psicose” ou ainda “A Inocente Face do Terror”. Os personagens de Fenton e Adam tiveram uma terrível experiência de violência em sua infância deixando marcas profundas na condução de seus destinos e de suas interpretações sobre fé e loucura, além dos conceitos básicos do bem e do mal. A forma com que o pai tenta colocar na cabeça dos filhos a sua verdade chega a comover, e o roteiro apela para a inteligência do telespectador.
O roteiro é muito interessante apresentando um clima sombrio e opressor envolvido em reviravoltas e surpresas, que mantém uma expectativa constante sobre o público à medida em que ocorrem os eventos.
Filmado em apenas 37 dias e com um orçamento modesto de US$ 11 milhões, Frailty é uma prova que um bom filme de horror não precisa de sangue e dinheiro com efeitos especiais, e mostra que Bill Paxton tem muito talento igualmente atrás das câmeras.
Este é um filme que vai mexer com seus nervos. Frailty é um filme aterrorizante, poderoso e provocador. Além de tudo, tem um final surpreendente...
E você já sabe: o filme com legendas em português está aí...

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